Era 23 de fevereiro de 1905. Num escritório no terceiro andar de um edifício no centro de Chicago, quatro homens se reuniram pela primeira vez com uma ideia simples: criar um espaço onde profissionais de diferentes áreas pudessem se conhecer, trocar experiências e — gradualmente — servir à comunidade ao redor deles. Nenhum dos quatro imaginava que aquele encontro daria origem a uma das maiores organizações de serviço voluntário da história.

Esta é a história da fundação do Rotary.


O homem por trás da ideia: Paul Harris

Paul Percy Harris nasceu em 1868 em Racine, Wisconsin, nos Estados Unidos. Advogado por formação, tinha uma característica marcante para a época: havia vivido em muitas cidades pequenas durante a infância, onde as pessoas se conheciam pelo nome, ajudavam umas às outras e construíam laços reais de comunidade.

Quando chegou a Chicago ainda jovem para exercer a advocacia, encontrou uma metrópole fria, acelerada e impessoal. A cidade crescia rapidamente, mas os profissionais que a habitavam mal se conheciam. Harris sentiu falta daquele espírito comunitário das cidades menores — e decidiu criar algo parecido.

A ideia era reunir homens de diferentes profissões, de forma rotativa, para construir amizades genuínas e, mais tarde, colocar essas conexões a serviço de algo maior.


O encontro fundador: quatro homens, uma visão

No dia 23 de fevereiro de 1905, Paul Harris convidou três amigos para a primeira reunião:

Nome Profissão
Paul P. Harris Advogado — idealizador do movimento
Silvester Schiele Comerciante de carvão e madeira
Gustavus Loehr Engenheiro de minas
Hiram Shorey Alfaiate

Profissões completamente diferentes — exatamente o ponto. A proposta de Harris era que o grupo se reunisse de forma rotativa nas sedes de trabalho de cada um, para que todos pudessem conhecer de perto as diferentes realidades profissionais da cidade.


Por que o nome “Rotary”?

O nome vem justamente dessa prática de rodízio de local: as reuniões giravam, rotativamente, pelos escritórios e sedes de cada membro. Com o tempo, o clube cresceu, passou a ter local fixo e o rodízio deixou de existir — mas o nome permaneceu, tornando-se um dos símbolos mais reconhecidos do voluntariado mundial.

A roda dentada que compõe o emblema do Rotary representa o trabalho e a cooperação — engrenagens que só funcionam quando agem juntas, em harmonia.


Do clube local ao movimento global

O crescimento foi rápido e orgânico. Em pouco mais de uma década, o movimento se expandiu para além das fronteiras americanas:

  • 1910: Fundação da National Association of Rotary Clubs — embrião do Rotary International;
  • 1912: Adoção oficial do lema “Dar de Si Antes de Pensar em Si”;
  • 1917: Criação da Fundação Rotária, braço filantrópico da organização;
  • 1921: Primeiro clube fora das Américas, fundado no Reino Unido;
  • 1922: Chegada ao Brasil — o primeiro clube rotário brasileiro é fundado em São Paulo;
  • 1945: O Rotary participa ativamente da Conferência de São Francisco, contribuindo para a criação das Nações Unidas.

Hoje, mais de 120 anos depois daquele encontro em Chicago, o Rotary está presente em aproximadamente 200 países, com mais de 46.000 clubes e mais de 1,4 milhão de associados.


O legado de Paul Harris

Paul Harris faleceu em 27 de janeiro de 1947, em Chicago — a mesma cidade onde tudo começou. Mas seu legado persiste de forma concreta: todos os anos, por meio da Fundação Rotária, o reconhecimento Paul Harris Fellow é concedido a rotarianos e apoiadores que demonstram compromisso excepcional com os ideais da organização. É a honraria mais simbólica do universo rotário.

“Não precisamos ir longe para encontrar oportunidades de servir. Elas estão ao nosso redor, na nossa própria comunidade.”

— Paul Harris, fundador do Rotary

O Rotary Club de Novo Hamburgo 25 de Julho é parte dessa história. Cada reunião, cada projeto, cada novo membro que se soma à rede é um eco daquele encontro de fevereiro de 1905 — quando quatro homens decidiram que amizade e serviço podiam, juntos, mudar o mundo.