Imagine uma doença que paralisa crianças em questão de horas, sem tratamento, sem cura — apenas prevenção. Durante boa parte do século XX, a poliomielite aterrorizou famílias em todo o mundo. Em 1988, ainda havia 350.000 casos por ano, espalhados por 125 países.

Hoje, esse número está próximo de zero. E o Rotary International tem papel central nessa história.


O que é a poliomielite?

A poliomielite — popularmente chamada de “paralisia infantil” — é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus. Ela ataca o sistema nervoso e pode causar paralisia permanente em poucas horas. Afeta principalmente crianças menores de 5 anos e não tem cura: uma vez instalado, o dano neurológico é irreversível.

A única forma de combatê-la é a vacinação — uma das intervenções de saúde pública mais eficazes que a humanidade já desenvolveu.


Como o Rotary entrou na luta

A história começa em 1979, quando o Rotary International financiou a vacinação de 6 milhões de crianças nas Filipinas — uma operação inédita em escala e velocidade para uma organização voluntária. O sucesso foi o ponto de partida para algo muito maior.

Em 1985, o Rotary lançou formalmente o programa PolioPlus, com uma meta ousada: erradicar completamente a pólio do planeta. Era a primeira vez na história que uma organização privada assumia esse tipo de compromisso de escala global em saúde pública.

O programa reuniu parceiros estratégicos ao redor do mundo:

Organização Papel na iniciativa
Rotary International Coordenação, financiamento e mobilização voluntária
Organização Mundial da Saúde (OMS) Suporte técnico e estratégia de saúde global
UNICEF Logística de distribuição das vacinas em países vulneráveis
CDC (EUA) Vigilância epidemiológica e controle laboratorial
Fundação Bill & Melinda Gates Contrapartida financeira às contribuições do Rotary (a partir de 2009)

Os números que contam a história

Os resultados acumulados da campanha liderada pelo Rotary são expressivos:

  • Mais de US$ 2,9 bilhões investidos pela organização na erradicação da pólio;
  • Mais de 3 bilhões de crianças imunizadas ao redor do mundo;
  • Redução de mais de 99,9% nos casos globais desde 1988;
  • A pólio foi oficialmente erradicada em todas as Américas (certificado em 1994), na Europa (2002) e em toda a Região do Pacífico Ocidental;
  • Índia — que chegou a ter 200.000 casos por ano — foi declarada livre da pólio em 2014.

Por que a erradicação total ainda não foi concluída?

A pólio selvagem ainda persiste em dois países: Afeganistão e Paquistão. Os desafios nesses territórios são complexos: conflitos armados, desconfiança em relação às vacinas em determinadas comunidades e dificuldade de acesso a regiões remotas tornam o trabalho de vacinação extraordinariamente difícil.

O Rotary, a OMS e seus parceiros continuam ativos nessas regiões, trabalhando com líderes locais, agentes comunitários e sistemas de vigilância para fechar os últimos bolsões de transmissão.

“Estamos mais perto do que nunca de erradicar a poliomielite. Esta geração de rotarianos pode ser a última a precisar lutar contra essa doença.”

— Rotary International


Um compromisso que define o Rotary

A campanha contra a poliomielite é mais do que um projeto de saúde pública. É a demonstração concreta de que uma rede de voluntários comprometidos — distribuídos por 200 países, sem exércitos, sem fronteiras, sem burocracia governamental — pode mover o mundo em direção a um bem comum.

É por isso que o combate à pólio permanece até hoje como uma das causas mais centrais e simbólicas do Rotary International. E é por isso que, em cada reunião rotária ao redor do planeta, o assunto ainda não está encerrado — porque o trabalho ainda não terminou.